2 de julho de 2006

ALVA PELE

Pele de anjo

Esconde um fogo insano

Queima a quem olha

Engole a quem toca



Louros agudos

Amargos soturnos

Inversos encarnados

Revelam o escárnio da tua



Alva pele,

Pela fria

Sutil morte da pele viva

De súbito arrebata



O sonho mórbido

É tão só um álibi

Cravado em madeira

Numa nua verdade derradeira



Alva pele,

Maculada pelo sangue

Lacerada pela dor

Mil navalhas de aço cintilam



O láscio é a dádiva

Apenas um privilégio

Provisório e eterno.

Ultimo e primário.



Em seus braços nus

As marcas do meu ódio

E seus seios bonitos balançam sem vida.

Os olhos baços e cinzentos

Fitam-me acusadores:

- O que você fez de mim, meu amor?

Arranco-os.



O colo em calor

O solo em louvor

Úmido e quente

Pesado e denso.

Entro e saio, sem de lá me retirar.



A minha parte que coloco em ti

Já não é só sua.

E para sempre será.



Alva pele,

Pele fria.

Era tua.

Agora é minha.