16 de outubro de 2004

MOMENTO GLORIOSO

Depois da morte não se é mais nada. Retornamos ao pó que nos foi a gênese. Viramos um deposito de larvas e bichos no fundo de sete palmos de terra. Mas os homens precisam reconhecer que morrer dignamente é o mesmo que viver com honras de um herói nacional.Assim sendo, Severino morreu. Sua vida era totalmente desengraçada. Nunca foi referencia para ninguém, amor para ninguém, importante para ninguém. Uma pessoa que foi apenas coadjuvante de sua própria vida. Passivo de sua história de vida. Severino não conhecia sua própria mãe. Tinha como figura materna uma freira que o criara no orfanato. Saiu de lá para tentar trabalhar, mas não tinha a mínima vontade de possuir um ofício, por mais que lhe fosse vital. Trabalhou, forçosamente de servente de pedreiro durante muito tempo. Profissão digníssima, diga-se de passagem, mas ele a praticava com tanta incredulidade que mal conseguia se manter em um emprego.O amor também não existia para ele. Conheceu o pecado num prostíbulo, donde foi expulso pois não pagava suas súcias. Vivia a deus-dará.Até que um dia viajou, por conta de um amigo, para tratar de uma úlcera perfurada. E nesse tratamento morreu. No necrotério, o corpo de Severino foi confundido com um figurão, um grande homem muito rico e influente. E o corpo do verdadeiro “grande homem” foi embarcado para a cidade de Severino. O enterro sucedeu com todas as pompas e circunstâncias. Houve parada militar, desfiles com a cavalaria, a presença do Presidente da República e muitas, várias, inúmeras viúvas para lhe chorar. Um enterro luxuoso, como nunca sonhara o pobre Severino, que teve uma vida desengraçada, mas pelo menos no momento de seu enterro se tornou importante. Ao menos uma vez na vida.
PAULO CÉSAR ALMEIDA

16 de setembro de 2004

A ESTRANHA RACIONALIDADE

Se há algo podre no mundo e que contamina tudo que há a sua volta, a isso podemos denominar dinheiro.
O dinheiro é capaz de aviltar até mesmo um santo encerrado em seu caritó. As relações humanas calcadas pelos sifrões são diafanas e levianas. Isto por que podemos perceber que onde há a questão financeira em jogo, há tambèm a ausência de amor. Eis dois inimigos íntimos: o dinheiro e o amor. Ambos não vivem sem o outro, mas ao mesmo tempo se repulsam mutuamente.
E quando há a falta de amor, chegamos ao ponto do mercenarismo, onde a mesquinhez predomina com todas as suas garras mais profanas. Nesse momento, o ser humano demonstra uma estranha racionalidade, onde os multiplos e didendos se somam a um ifinito temível chamado caixa. Eis a fonte do poder e do egoísmo humano, o caixa guarda consigo todo o desejo de fortuna e soberba.
Enquanto a racionalidade financeira funciona com sua mecânica devoradora, a maior riqueza humana: o amor, vai sendo esmagado, solapado pela lógica consumista e mercenária. Lembrem-se do lindo evangelho, "Ainda que tivesse todos os reinos sob meu comando, sem amor eu nada seria".

25 de agosto de 2004

PREGUIÇA MALDITA

Nossos olhos são tão acostumados com leituras imediatas de icones e simbolos, que a nosso campo de visão sobre o mundo se torna viciada. O desejo extremo pela praticidade, a nossa latente falta de tempo, nos torna relapsos quando a questão é a leitura de minucias e reflexiva.
O ato de ler tem o efeito maravilhoso de provocar nossos sentidos e nos fazer imaginar o que cada palavra, ou jogo de palavra pode representar. Isso aguça a nossa sensibilidade e desembaça a visão de mundo.
Esse blog não tem imagens engraçadas, montagens maravilhosas, efeitos em flash, nada disso. É um espaço para as palavras, que esse humilde literato teima em escrever. Sei que não é um blog premiado com inumeras visitas, nem faço tanta publicidade dele e suas atualizações são demoradas. Isso por que gosto das palavras e elas exigem que eu as trate bem, e isso demanda tempo.
Portanto, pra você meu amigo que gosta de ler, e gosta do meu blog lhe digo que seja cada vez mais leitor do mundo. Não deixe que o cantoa da sereia das imagens vicie sua mente. Procure a leitura reflexiva a aquela que lhe reflete algo.
Não deixe que a preguiça maldita das imagens feitas encabrestem sua visão.

5 de agosto de 2004

FRASES

Somos todos filhos de uma obsequiosa trangressão, portanto pratiquemo-la com prazer.

Nosso conceito de beleza perpassa obrigatóriamente pela Gisele Buenchen, mas, na prática amemos mesmo as feias comuns, essas são mulheres de carne, osso e um enorme coração.

Não importa que seja um bicho, uma pessoa do mesmo sexo, um parente. O que realmente importa é amar.

O homem pratica o sexo com a mulher pela própria mulher, enquanto que a mulher faz sexo com o status, o carro, a segurança que aquele homem pode lhe dar, ou por outra, a mulher transa por pura piedade. "Tadinho, vou dar pra ele".

A fidelidade é um exemplo da arraigada hipocrisia na qual se baseia a nossa civilização. Ninguém é fiel a vida toda, o tempo todo. É natural que se traia.

A grande luta do ser humano é a de tentar domar o seu lado animal. Somos ridiculamente racionais.

O amor perfeito é uma mera ilusão criada por Hollywood. Eu creio nos amores imperfeitos, esses sim são reais e eternos.

O casamento é um teatro com todos os seus elementos: atores,uma farsa, luzes e platéia. Seu único ponto de divergencia é que é uma peça em que os protagonistas pagam (caro) para a platéia assistir.

4 de agosto de 2004

O Duplo Amor

Não há novela que se preze que não tenha um. Estão presentes também em romances, dos sofríveis às obras primas. Falo exatamente dos TRIÂNGULOSAMOROSOS. Uma situação dilêmática capaz de perturbar o sossego de um monge tibetano. Absolutamente ninguém está livre de ser, um dia, uma vértice dessa geometria de amor e pesadelo.
Tamanha angústia, causada pelos triângulos, é culpa da nossa propria civilização ocidental cristã, que preza a monogamia como base para as relações amorosas e também para a constituição da família.
Mas o que ocorre é que o coração humano é um latifúndio de grande escala, onde pode-se plantar e colher vários sentimentos diferentes. E o amor possui uma versatilidade tremenda, capaz de ter várias caras e formatos. Dessa forma, é perfeitamente aceitável que caiba dentro de apenas um ser vários tipos de amor dedicados á pessoas diferentes.
Nossos sentimentos são puramente humanos e fazem parte da nossa natureza. Assim sendo, as normas da nossa civilização são de certa forma assimilados por nós, mas nunca suplantam o nosso lado selvagem e irracional.
É exatamente nessa vértice da personalidade humana que age o amor. Daí vem os amores multiplos e confusos. Não há, portanto, pecado em se amar mais de uma pessoa. Afinal, somos essencialmente animais e o amor é um sentimento fora de qualquer razão. Amar duas pessoas ao mesmo tempo não deveria ser encarado com tamanho preconceito.
Eis o que eu queria dizer: Ame, ame incondicionalmente. Estamos no mundo para amar e nada mais. Não existe pecado no amor, seja ele dedicado a quem for ou a quantos forem. Pecado é matar o amor dentro de si.

4 de julho de 2004

MAIS PERTO DA MORTE

Existe um momento na vida em que acontece uma mobilização á sua volta. Voce, as vezes, passa 364 dias no ano perto das pessoas e elas se acostumam tanto com a sua presença que vc se torna apenas mais um.
Porém, um dia em especial, essas pessoas que lhe rodeiam te enchem de atenção e carinho. Esse é o dia do seu aniversário. Parabéns. Felicidades. Muitos anos de vida.
Todas essas manifestações, quando não são pura conveniencia ou mesmo falsidade, são na verdade um movimento de solidariedade. Eles te abraçam e lhe são afetuosos por que percebem que você está mais velho, e, portanto, mais próximo da morte. Sabem que você terá menos um ano para viver nesse plano e menos tempo você ficará ao lado deles, seus amigos verdadeiros e fundamentais.
Portanto, sejamos solidários aos efemérides, pois esse momento é de extrema delicadeza. Não é fácil aceitar que a cada dia que vivemos a morte se aproxima voraz.
Obrigado a todos os meus solidários amigos que se lembraram do meu aniversário. Vocês estão na redoma do meu coração.

27 de junho de 2004

A NOVELA E O BRASIL

Na última Sexta-feira, dia 25, todas as estratégias de marketing e merchandising da Rede Globo geraram o resultado esperado. Das 21hs até aproximadamente 22:10hs, a TV carioca registrou uma média de 65 pontos de audiência, segundo o ibope. A movimentação financeira em torno do último capítulo da novela 'Celebridade'foi tamanha que os intervalos comerciais daquele capítulo estavam sendo maiores e com propagandas de alcance nacional.
Mas eu não pretendo aqui falar da engenharia financeira das TVs em torno das novelas. Quero falar sobre esse produto que tem o Brasil como principal produtor e exportador do mundo e a sua intima relação com a cultura brasileira.
Há correntes de intelectuais que repudiam a novela, dizendo ser um objeto de alienação e ditador de modas e de estereótipos. Porém vejo que a novela já está tão arraigada na cultura do Brasil que, dificilmente, um outro tipo de ficção consegue superá-la. O brasileiro se vê dentro da TV. É uma relação especular, onde a identificação é imediata.
A grande questão da novela reside nos formatos pré-concebidos em que se encaixam as tramas. Essencialmente todas as novelas são iguais. Trabalham com maniqueismos e arquétipos. O próprio público determina esses formatos. O brasileiro, quando o assunto é sua novela, não aceita histórias com algum embasamento intelectual. São geralmente histórias simples e de facil compreensão, pois se ele perder uma semana de capítulos, ainda haverá uma compreensão da história a se seguir.
No mais a engenharia financeira da novela movimenta dinheiro e corações. E aqui vai uma opinião pessoal desse humilde cronista. O Gilberto Braga já foi mais surpreendente em outras ocasiões.

Sapiencia

Se tu soubesses da vida,
do coração teimoso,
das sombras da indiferença,
Se tu soubesses da amargura,
do frivolo olhar da discordia,
do amor que te cerca mas não te ataca,
Se tu soubesses, serias feliz.
Mas a felicidade não é uma dadiva
é uma incerteza

6 de junho de 2004

O QUE TU SERIAS CAPAZ DE FAZER
POR AMOR?

GABRIELA – Hoje em dia, não se mata, e tampouco se morre por amor. Eu acho tão lindo um crime passional.

CLEOMAR – Pecado. Amar nunca é pecado. Pecado é sufocar o amor, e não deixar que os desejos carnais se manifestem em sua plenitude. Deus nos deu o dom de amar para que fizéssemos do amor a nossa bandeira, nosso manifesto.

O QUE TU SERIAS CAPAZ DE PERDOAR
POR AMOR?

DOLORES (para Gabriela) – Esse amor carnal é falso, um simulacro. Existe apenas para o sexo, o gozo. O único amor verdadeiro que houve para ti foi o meu.

VEM AÍ:

NÃO CONDENARÁS OS CRIMES PASSIONAIS.
de Paulo César Almeida

A nova produção do Grupo Teatral 2°ATO

5 de junho de 2004

O MOMENTO GLORIOSO

Depois da morte não se é mais nada. Retornamos ao pó que nos foi a gênese. Viramos um deposito de larvas e bichos no fundo de sete palmos de terra. Mas os homens precisam reconhecer que morrer dignamente é o mesmo que viver com honras de um herói nacional.
Assim sendo, Severino morreu. Sua vida era totalmente desengraçada. Nunca foi referencia para ninguém, amor para ninguém, importante para ninguém. Uma pessoa que foi apenas coadjuvante de sua própria vida. Passivo de sua história de vida.
Severino não conhecia sua própria mãe. Tinha como figura materna uma freira que o criara no orfanato. Saiu de lá para tentar trabalhar, mas não tinha a mínima vontade de possuir um ofício, por mais que lhe fosse vital. Trabalhou, forçosamente de servente de pedreiro durante muito tempo. Profissão digníssima, diga-se de passagem, mas ele a praticava com tanta incredulidade que mal conseguia se manter em um emprego.
O amor também não existia para ele. Conheceu o pecado num prostíbulo, donde foi expulso pois não pagava suas súcias. Vivia a deus-dará.
Até que um dia viajou, por conta de um amigo, para tratar de uma úlcera perfurada. E nesse tratamento morreu. No necrotério, o corpo de Severino foi confundido com um figurão, um grande homem muito rico e influente. E o corpo do verdadeiro “grande homem” foi embarcado para a cidade de Severino.
O enterro sucedeu com todas as pompas e circunstâncias. Houve parada militar, desfiles com a cavalaria, a presença do Presidente da República e muitas, várias, inúmeras viúvas para lhe chorar. Um enterro luxuoso, como nunca sonhara o pobre Severino, que teve uma vida desengraçada, mas pelo menos no momento de seu enterro se tornou importante. Ao menos uma vez na vida.

PAULO CÉSAR ALMEIDA
O SOLO DA CLARINETA



Fiz de um a tudo
Até te perder
E agora?
O que se há de fazer?

Atropelei cada brilho
Que surgia em seu olhar
Fui pérfido e vil
Não lhe permiti mais sonhar

E agora que está tudo perdido
O que se há de fazer?
Meter-me na vida
Pra ver se consigo
Deixar de lhe fazer sofrer

Não mereço
Nem nunca me foi digno
Essas lágrimas que jorraram
Pelo seu rosto fino
Desses olhos que me amaram

Fiz de um tudo
Até te perder
Já não sei mais
O que se há de fazer

Apenas me resigno
Dentro da minha mansidão
E lhe peço ignóbil
A dádiva do seu perdão.



Paulo César Almeida

21 de abril de 2004

POST FILOSOFICO FUTEBOLISTICO BICAMPEÃO

O Choro do perdedor é livre.

Cão que ladra não morde.

Cansados de Apanhar no Mineirão.

Sabe de quem foi a maior volta olímpica da história? Do CAM, dura há 34 anos.

PARABÉNS BICAMPEÕES

17 de abril de 2004

GOTA D’ÁGUA


Ninguém me percebe. Sou ínfimo, mas indispensável. Que vida me nega enquanto sou parte de sua essência mais fugaz? Um início de um mesmo fim e o fim sem recomeço.
Sejamos francos, vocês me conhecem? Podem responder sem constrangimento que sou um estranho. Vocês nunca me viram mais gordo, e nem mais limpo. Sou suave e imperceptível. Mas nada nesse mundo, absolutamente nada funcionaria sem a minha presença.
Deveria ser tratado como um rei. “Sua majetastade a gota”. Mas vocês me negam. Como se negassem sua própria condição de humanos. Sim, pois sua responsabilidade de vida está nos meus braços, nos meus laços, nas minhas pernas.
Estou presente no perdigoto do seu beijo, na lágrima da sua tristeza, na terça parte desse mundo e setenta por cento dos seus corpos.
Sou imortal, mas não vou sobreviver dignamente com tantos abusos com a minha paciência.Vocês me jogam fora para a vaidade dos seus passeios, dos seus carros e até dos seus corpos.
Sou muito boa pessoa, mas não pensem que eu sou idiota. Quando vocês abusam da minha boa vontade. Eu me nego terminantemente a molhar suas plantações, seu chão. E então vocês sentem o quanto sou pirracenta. Sou pirracenta mesmo e sempre serei. Eu preciso gostar de mim, para que finalmente eu tenha a devida atenção de vocês.
Não posso mais suportar tanta humilhação. Eu subo do chão em vapor, me embrenho entre as nuvens e caio, abençoada, sobre seus olhos, suas couves, sua sujeira nojenta e cheia de remelas.
Mas não pensem que tenho raiva de vocês. Imagina se eu haveria de ter revolta contra o mundo. Afinal minha função nesse mundo é dar vida ao que peleja no subsolo, lubrificar quem clama por um pouco de vida.
Por aqui estou por todos os lados. Mas vocês já imaginaram como é a situação daqueles que são privados da minha graça. Seus irmãos do norte morrem por mim. Vê, como eu sou necessária! E mesmo sabendo como sou indispensável, vocês me jogam por aí, me envenenam com suas fezes e me matam com sua poeira.
Estou para servir e sou assassinada. Saibam que a cada dia serei mais e mais valorizada. Minha posse será como ter ouro hoje. Se hoje sou a razão de sua vida, no futuro serei pomo de discórdia entre os povos.
A última guerra do mundo será pela água. Mas calma. Por enquanto sou apenas uma gota d`água e nada mais que isso. Sou uma metonímia, a parte de um todo. Mesmo assim, me levem pra casa, cuidem de mim, pois só assim posso gozar da eternidade. Preciso do seu cuidado, do seu carinho.
Me dêem vida, que eu retribuirei com a doce refrescância de um banho macio, o alívio de belo copo de suco.
Me bebam, se lavem, se hidratem. Me amem, e, finalmente, vivam. Vivam com a paz do seu futuro glorioso. Vivam.

14 de abril de 2004

AS NOVAS ORDENS DO MUNDO
Depois de um longo e tenebroso período de infertilidade criativa e impaciencia, resolvi estar de volta ao ambiente do meu blog. Estou de volta para tentar falar aos meus caros leitores o quanto senti saudade de falar com vocês, meus caros amigos literattos.
Nesse intento de procurar assuntos que possam fazer parte do interesse daqueles que frequentam meu blog, resolvi contar uma história que pode ser considerada, no mínimo, surreal. Na real não quero aqui adjetivar minha história. Deixo por conta de vcs.
Quero questionar aqui a batida questão da virgindade feminina. Um tabu idiota que nossa sociedade machista instituiu. O fato é ela era uma virgem fisica, possuia seu himen insofismávelmente, porém realizava todas as suas fantasias. Era capaz de fazer de tudo. Exceto a desvirginização fisica, somente a moral que não lhe atribuia "honra".
Agora vos pergunto, meus caros, essa garota poderia ser considerada pura? Seria essa pureza legitimada apenas por um pedaço de carne?
Espero por respostas. Um grande abraço.

1 de março de 2004

A cabeça de um Literatto é um mosaico de surpresas. Não estou com ares para postar algo digno da leitura dos meus caros e fiéis leitores literados.
No mais esperem que estarei com novidades.
Um abraço.

13 de fevereiro de 2004

POST FILOSÓFICO RODRIGUEANO

Uma homenagem a ele que foi o maior dramaturgo do Brasil em todos os tempos e um frasista insuperável

"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível."

"O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele."

"O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade."

"O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda."

"Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma."

Nelson Rodrigues.




4 de fevereiro de 2004

ELE AMOU A MORTE


A pele branca pálida, a barba rodeando o rosto, a voz de trovão e a cabeça genial. Assim foi Renato, o ícone de uma geração, o grande revolucionário com flores nas mãos. Essa triste, longínqua porém consistente lembrança perdura nas cabeças dos jovens e dos não tão jovens no nosso país.
Renato versou e cantou o amor como nenhum ser humano foi capaz até hoje. Passou pela vida com um bólido e viveu a morte como poucos. A sombra mortal o acompanhou durante alguns anos. Mas não foi obstáculo para que ele morresse de amor pela vida e dedicasse esse sentimento também á morte.
Quando eu digo que ele amou a morte não significa em momento algum que ele não tenha querido viver. Mas quando ele percebeu que a morte lhe estava próxima, Renato resolveu então amá-la e cantá-la, como tudo que o rodeava.
Dessa forma, Renato se estabeleceu como um mito, um nome brilhante que agora cintíla no meio das estrelas. Mas seu legado não nega que Renato é eterno. Sua morte foi apenas carnal, pois seu espírito está presente em cada verso com aquele pessimismo romântico, aquele desejo pelo amor imperfeito.
Renato é, sem dúvida, um dos maiores poetas contemporâneo. E suas músicas vão tocar eternamente o coração de inúmeras, diversas e intermináveis gerações.

30 de janeiro de 2004

ASSOPROS

O que não é mais sutíl, se torna verdade.
O que não é mais revolta, se torna manipulação
O que não é mais calúnia, se torna vertigem
O que não é mais estupro, vira copulação.

Se não seguimos as regras, somos livres
E ser livre exige sua consternação
Se não amamos a quem não nos ama
A vida fica amarga e sem motivação.

Somos gênese da mesma carne
De uma obsequiosa transgressão
Mas com retalhos de ternura
de uma flor de obsessão.

29 de janeiro de 2004

DEUS É HOLLYWOODIANO

A comoção foi nacional. Mais uma vez um filme brazuca estará entre as historinhas do Óscar. Essa obra prima de Fernando Meireles será um dos concorrentes á esse prêmio tão cobiçado, mas com tão pouca credibilidade.
Há muito tempo que o Óscar deixou de ser um prêmio dedicado aos melhores filmes produzidos no mundo, para se tornar um veículo de marketing e politicagem. Isso não deveria ser novidade para ninguém. Ganha o Óscar aquele que tem o melhor roteiro e produção nos bastidores, no pé do ouvido.
E mais uma vez o combalido orgulho nacional se infla perante a carícia que os gringos nos fazem. Só de eles pensarem em nós é motivo de manchetes sensacionalistas no Jornal Nacional e páginas inteiras nos jornais.
Eis o que pretendo dizer: esqueçam o Óscar. Nosso cinema é muito bom, não precisamos desse reconhecimento medonho á base de política e favorzinhos. Lembremo-nos que o nosso Deus é mais bonito que o endinheirado deus, cheio de efeitos especiais desses gringos canalhas.

28 de janeiro de 2004

ATENDENDO A PEDIDOS ELE ESTÁ DE VOLTA

O HOMEM SÓ

Sim ele era só. Muito só. Sua solidão era capaz de transcender as paredes de sua casa tão e unicamente só.
Possuia um trabalho, mas lá se sentia só.
Tinha em si um sentimento de amor por uma mulher que lhe era recíproco. Eles namoravam. Mesmo assim não vencia a solidão.
Em sua casa, lhe esperava sua mãe com comidas quentes, roupas lavadas e olhos maternais. Ainda assim era solitário.
Quando terminava a semana, haviam pessoas que lhe chamava para súcias pós expediente, ou mesmo para aproveitar o a toa dos domingos. Ele até se divertia, mas não esquecia sua miserável solidão.
Olhava para os lados, para cima, para baixo e o silêncio lhe parecia tangível e audível.
Até que um dia ele percebeu, diante a infinitude de sua vida que, na verdade, ele era um homem livre. A liberdade era sua companheira. Nada o prendia nesse mundo.
O homem só se viu como um homem livre.
Então, o homem só deu cabo de sua própria vida. Pois a liberdade é algo grande demais para um homem que sempre conviveu com a solidão.
A liberdade não foi feita para os homens, ela é apenas uma invenção daqueles que sumariamente se sentiam sós.

PAULO CÉSAR ALMEIDA

27 de janeiro de 2004

NOME DE RUA

Falei ontem aqui, nesse mesmo espaço, á respeito de um momento glorioso da vida durante o cortejo fúnebre. Os homens parecem querer a cada dia seus momentos de eternização mesmo que seja depois da morte. Pois ontem, no Teatro Sesi-Minas o que houve foi a glória ainda em vida. Com todos os whiskis e salgadinhos que merecem.
Nessa noite, a gloria tratou de desumanizar o fabuloso Alex, um dos grandes craques que o nosso futebol já produziu. Não se trata de um gênio, mas é, sem duvida, uma sumidade. A consagração pública realmente desumaniza qualquer homem. Torna ele em um busto na praça, um nome de rua. E não há nada mais degradante e sofrível do que se tornar uma rua. Logradouro somente para pisantes, carros e, até mesmo, amantes.
Alex, nesse caso, não se tornou um nome de rua, pelo menos por enquanto. Mas seus feitos no último ano o empalhou no museu do imaginário coletivo. Seus gols, seus passes teleguiados, tudo de uma plástica excêntrica.
Mas seu personagem veste calções, chuteiras e camisas. O terno nada mais é que uma satisfação para com os escultores de seu busto, que estará em breve nas praças da paixão de um povo, nas placas das esquinas mal sinalizadas.
O homem quando se torna nome de rua põe em prova sua condição de humano vivo. O céu só é feito para os anjos, os homens são sumariamente expulsos. Como os indisciplinados no futebol.

PAULO CÉSAR ALMEIDA

26 de janeiro de 2004

O MOMENTO GLORIOSO

Depois da morte não se é mais nada. Retornamos ao pó que nos foi a gênese. Viramos um deposito de larvas e bichos no fundo de sete palmos de terra. Mas os homens precisam reconhecer que morrer dignamente é o mesmo que viver com honras de um herói nacional.
Assim sendo, Severino morreu. Sua vida era totalmente desengraçada. Nunca foi referencia para ninguém, amor para ninguém, importante para ninguém. Uma pessoa que foi apenas coadjuvante de sua própria vida. Passivo de sua história de vida.
Severino não conhecia sua própria mãe. Tinha como figura materna uma freira que o criara no orfanato. Saiu de lá para tentar trabalhar, mas não tinha a mínima vontade de possuir um ofício, por mais que lhe fosse vital. Trabalhou, forçosamente de servente de pedreiro durante muito tempo. Profissão digníssima, diga-se de passagem, mas ele a praticava com tanta incredulidade que mal conseguia se manter em um emprego.
O amor também não existia para ele. Conheceu o pecado num prostíbulo, donde foi expulso pois não pagava suas súcias. Vivia a deus-dará.
Até que um dia viajou, por conta de um amigo, para tratar de uma úlcera perfurada. E nesse tratamento morreu. No necrotério, o corpo de Severino foi confundido com um figurão, um grande homem muito rico e influente. E o corpo do verdadeiro “grande homem” foi embarcado para a cidade de Severino.
O enterro sucedeu com todas as pompas e circunstâncias. Houve parada militar, desfiles com a cavalaria, a presença do Presidente da República e muitas, várias, inúmeras viúvas para lhe chorar. Um enterro luxuoso, como nunca sonhara o pobre Severino, que teve uma vida desengraçada, mas pelo menos no momento de seu enterro se tornou importante. Ao menos uma vez na vida.

PAULO CÉSAR ALMEIDA

Copyright by Paulo César Almeida(2004). All rights reserverd.

23 de janeiro de 2004

A maioria dos blogs são recheados de imagens. Mas esse quer se dedicar ás palavras. Palavras que estão tão perdidas nessa nossa sociedade iconoclasta. Pois saibam os meus visitantes literados que essas palavras colocadas aqui são fruto de uma profunda inspiração. Não quero colocar aqui pensamentos como se fossem verdades, mesmo por que verdades unicas não existem. Portanto tenham paciencia e leiam, posteriormente deixem suas opiniões no TAG. Vamos fazer desse blog um campo de discussão de idéias. E, como conselho, leia, leia muito, leia sempre. É a melhor forma de trasformar seu mundo.
POST FILOSÓFICO

O povo desconfia do que entende.
Nelson Rodrigues

Se riem de ti é por que tu estás à frente deles.
Dito popular

22 de janeiro de 2004

UM PECADO PARA VOCÊ


Existe um olho escondido dentro de nossas cabeças. Esse olho é responsável por observar cada movimento seja milimétrico de nossas vidas. A teoria do panóptico nos revela que esse observante não precisa nem existir de fato, basta que ele exista no nosso imaginário e pronto. Somos escravos submetidos aos franzires de um olho oculto e implacável.
George Orwell, na sua obra “1984” já definia como somos observados por um Grande Irmão. Um componente indesejado de nossa família que está sorrateiramente fazendo égide em cada atitude que tomamos. Assim sendo, até mesmo dentro do nosso quarto trancado e no escuro, somos incapazes de manifestar desejos, de sermos nós mesmos intimamente, com a cara na verdade.
Fiz toda essa inflexão acima para falar que sofremos sanções a todo momento não só da sociedade, mas de nós mesmos. Temos um olho interno que é capaz de observar todas as manifestações da alma. A esse visionante a religião deu o singelo e marcante nome de pecado. Todas as leis da Igreja são acompanhadas de castigos.
Existe, portanto, uma consciência geral entre os religiosos daquilo que é pecado ou não. Dentre várias noções, o pecado relacionado ao amor, talvez seria a mais forte. Não se pode amar livremente, a pessoa precisa se prender a outra, dar satisfações a “Deus”(leia-se Igreja) e á sociedade.
Ora não existe pecado algum no amor. Ele existe e foi criado por Deus para que os humanos se harmonizem e se adorem. Como poderia algo tão bom, e tão bonito ser considerado uma falha, um crime. O pecado é o crime da Igreja.
Portanto é necessário que nos libertemos dessa consciência do pecado. Só devemos considerar o pecado aquilo que prejudique ou que engane o próximo. No mais viva os “pecados” do mundo. Eles são a face mais irisada da vida. Temos que nos permitir amar, mentir por uma boa causa, xingar nos momentos de raiva, e sentir o doce e cálido toque da paixão.
Dessa forma, eu desejo um pecado para você.


PAULO CÉSAR ALMEIDA

21 de janeiro de 2004

POST FILOSÓFICO
Todos somos anjos de uma asa só, e para voarmos é necessário abraçarmos uns aos outros.*

*Autor Desconhecido

20 de janeiro de 2004

VOCE VAI PERDER O FÔLEGO.

A Sete Palmos.
de Paulo César Almeida.
em breve
VOCÊ VAI PERDER O FÔLEGO.A Sete Palmos.
de Paulo César Almeida
em breve.

19 de janeiro de 2004

O HOMEM SÓ

Sim ele era só. Muito só. Sua solidão era capaz de transcender ás paredes de sua casa tão e unicamente só.
Possuia um trabalho, mas lá se sentia só.
Tinha em si um sentimento de amor por uma mulher que lhe era reciproco. Eles namoravam. Mesmo assim não vencia a solidão.
Em sua casa, lhe esperava sua mãe com comidas quentes, roupas lavadas e olhos maternais. Ainda assim era solitário.
Quando terminava a semana, haviam pessoas que lhe chamava para súcias pós expediente, ou mesmo para aproveitar o á toa dos domingos. Ele até se divertia, mas não esquecia sua miserável solidão.
Olhava para os lados, para cima, para baixo e o silêncio lhe parecia tangível e audível.
Até que um dia ele percebeu, diante a infinitude de sua vida que, na verdade, ele era um homem livre. A liberdade era sua companheira. Nada o prendia nesse mundo.
O homem só se viu como um homem livre.
Então, o homem só deu cabo de sua própria vida. Pois a liberdade é algo grande demais para um homem que sempre conviveu com a solidão.
A liberdade não foi feita para os homens, ela é apenas uma invenção daqueles que sumariamente se sentiam sós.

PAULO CÉSAR ALMEIDA

16 de janeiro de 2004

"- É saudade então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez:
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei com você em luz e sombra"
Renato Russo
POST FILOSÓFICO

A sinceridade é o grande defeito dos virtuosos.Paulo César Almeida.

"O brasileiro é um narciso as avessas, pois ele escarra na própria imagem"Nelson Rodrigues
Galera eis a letra do novo sucesso do Poeta Nando Reis. Ele é demais.
Um abraço


A Letra A
Nando Reis

A letra A do seu nome
C G/B D
Abre essa porta e entra
C G/B D
Na mesma casa onde eu moro
C G/B D
Na mesa que me alimenta

D C/D

C G/B D
A telha esquenta e cobre
C G/B D
Quando da noite ela deita
C G/B D
A gente pensa que escolhe
C G/B D
Se a gente não sabe inventa

D C
A gente só não inventa a dor
Em D
A gente que enfranta o mal
D C
Quando a gente fica em frente ao mar
C D
A gente se sente melhor

D C/D D C/D

C G/B D
A abelha nasce e morre
C G/B D
E a cera que ela engendra
C G/B D
Acende a luz quando escorre
C G/B D
Da vela que me orienta
C G/B D
Apenas os automóveis
C G/B D
Sem penas se movem e ventam
C G/B D
Certeza é o chão de um imóvel
C G/B D
Prefiro as pernas que me movimentam

A gente em movimento: amor
Em D
A gente que enfrente o mal
C
Quando a gente fica em frente ao mar
D
A gente se sente melhor
v

14 de janeiro de 2004

UMA SOMBRA PARA GUILHERME

O Cruzeiro começou o ano de 2004 recheado de novidades. Dentre elas cabe destacar aqui a bomba que balançou o futebol mineiro e esquentou ainda mais a rivalidade entre Cruzeiro e Atlético, a contratação pelo time da toca de Guilherme, ex-idolo alvinegro.
Como era de se esperar a contratação de Guilherme dividiu a torcida do Cruzeiro, e dispertou no atleticano um sentimento, no minimo, diferente. O alvinegro inicialmente adorou a notícia dizendo que agora era o momento da torcida cruzeirense sofrer com os intempéries do atacante, mas ao mesmo tempo o pavor de pensar que Guilherme estaria de volta para atormentar o sono dos atleticanos. Guilherme é assim, você o odeia por que ele pode acabar com o seu time.
No mais a diretoria celeste apostou suas fichas nesse atacante com a certeza do sucesso. Os boatos que Guilherme é festeiro, boemio e temperamental não assustaram diretoria e comissão técnica. Todos estão apostando que Guilherme, sob a égide de Luxemburgo, será um outro jogador. Mais disciplinado e motivado.
Porém, a diretoria do Cruzeiro deve tomar suas precauções. Guilherme é um grande artilheiro, mas é instável. Ao mesmo tempo que ele está bem, fazendo gols, ele comete uma burrada e sai na noite aprontando das suas. Luxemburgo que se prepare. Para tanto sou da opinião que o Cruzeiro nessecita de contratar mais um atacante com caracteristicas parecidas com as do Guilherme. Dessa forma, ele terá a consciencia que se aprontar ou se começar a jogar mal, Luxemburgo não vai pestanejar em sacá-lo do time, sem que o nível do ataque caia com isso.
Portanto, demos outra chance a Guilherme. Mas com ele é preciso ter fé cega e pé atras.
Inté.
Minhas palavras nada tem a dizer
por que teu silencio é mais
Quisera ter o prazer
de ser um verso em sua voz.